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Burro na Mesa

Antro de estupidez onde jazem comentários de conteúdo variado | BLOG DE HUMOR

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Toca a amar agricultores e filhos à bruta

Conservatórias do meu país, toca a trabalhar! É porque é já neste domingo que vão estrear as adaptações modernas da história da Carochinha na televisão nacional, também conhecidas como os dois dating-shows mais aguardados do ano… “Quem quer namorar com o agricultor?” e “Quem quer casar com o meu filho?” são os próximos formatos da SIC e da TVI, respetivamente, que se vão duelar pelo coração dos portugueses.

 

A SIC tem andado, nestes últimos dias, a anunciar que existem 300 mil agricultores em Portugal e que desses, cerca de 70 mil são solteiros. A minha questão é: onde é que a SIC vai buscar estes dados? Provavelmente, deve haver um funcionário a tempo inteiro a contar os agricultores, um a um, ou então a escarafunchar o Pordata e o INE de alto a baixo.

 

Mas a verdade é que a SIC, com este programa, vai fazer mais pelo setor primário do que o Borda d’Água alguma vez fez. Sim, porque no Borda d’Água não diz que vão pingar miúdas para os agricultores… Já pinga-amores, não deve haver nenhum, senão não tinham de recorrer a este tipo de programas.

 

Já a TVI, decidiu pôr as mães a escolherem as noras e os genros. Em princípio, órfão nenhum pode participar neste programa, mas ainda bem… Também já sofreram o suficiente, coitados. O quarto canal tem andado a anunciar este programa como se fosse algo inovador, mas a verdade é que não é. Por exemplo, enquanto que a TVI lhe chama “sucesso internacional”, a etnia cigana chama-lhe “quarta-feira”.

 

A apresentadora do “Quem quer casar com o meu filho?” será Leonor Poeiras, que, com este programa, passa a ser a pessoa que apresentou mais programas começados por “Quer quer…” (lembram-se do “Quem quer ganha?”). Sinceramente, tenho a esperança de que se um dia fizerem um documentário sobre os bastidores deste dating-show, este se chame “Quem quer apresentar esta porcaria?” (este nome também é válido se quiserem fazer um documentário sobre outro programa da Leonor, o “Perdidos na Tribo”).

 

Mas deixem-me desde já felicitar a TVI pela escolha da apresentadora, visto que é coerente que seja a Leonor Poeiras a arranjar solução para tirar a POEIRA das partes íntimas dos concorrentes.

 

Posto isto, gostava só de deixar aqui uma sugestão. Não seria ótimo se se fizesse um crossover entre o “Quem quer casar com o meu filho?” e o “Quem quer ser milionário?”? Eu acho uma boa ideia. Chamar-se-ia "Quem quer casar com um milionário?" e o objetivo seria encontrar a próxima Melania Trump. Ou melhor, "Quem quer ser o meu filho?", onde o objetivo seria roubar bebés do hospital de S. João, como aquela senhora do Porto.

 

(Ver artigo anterior sobre este tema aqui) - "Quem quer casar com o meu filho agricultor à primeira vista dentro de um carro?"

publicado às 00:26

Quem quer casar com o meu filho agricultor à primeira vista dentro de um carro?

(Novo artigo sobre este tema aqui) - "Toca a amar agricultores e filhos à bruta"

 

A poesia portuguesa sempre me atraiu. Florbela Espanca, Pessoa, Sophia ou Camões escreveram belíssimos e incontáveis hinos ao amor. Mas de todos os versos de todos os poemas, há um especial, um que todos os apaixonados já ouviram: «Amor é fogo que arde sem se ver». Mas se até ao ano passado, o verso era apenas uma metáfora, agora já não é assim, graças ao fantástico mundo da televisão portuguesa.

A moda dos programas de encontros amorosos começou no ano passado, quando estreou em Portugal o programa “Casados à Primeira Vista”, programa esse bastante discriminatório para todos os invisuais, já agora. O sucesso foi tal que não tardou que a TVI estreasse também ela um programa de relacionamentos, o “First Dates”, e a SIC o “Carro do Amor”. Portanto, em 2019, o “fogo que arde sem se ver” não é metafórico, mas sim o da combustão do motor do KIA Ceed usado pela emissora. Mas uma coisa é certa, o Ministro do Ambiente, que é um gajo que até percebe se está ou não a rolar um clima, já veio dizer que, se o “Carro do Amor” funcionar a gasóleo, daqui a 4 anos aqueles namoros não vão valer nada.

Mas se pensavam que isto ia ficar por aqui, desenganem-se. O quarto canal vai estrear o “Quem quer casar com o meu filho?” e a estação de Paço de Arcos (eles lá da SIC fizeram mesmo questão de que todo o Portugal soubesse que agora eles estão sediados em Paço de Arcos) vai estrear o “Quem quer casar com o agricultor?”. Muita originalidade, portanto. No fundo, a TV portuguesa é aquela tia chata do jantar de Natal que pergunta se já não está na altura de arranjar alguém para juntar os trapinhos.

Posto isto, proponho aqui mais alguns formatos que as televisões nacionais podem aproveitar. Começamos com o “Autocarro do Amor”, onde adeptos do poliamor têm um primeiro encontro coletivo e que, em princípio, acaba sempre numa coboiada muito gira que pode ser emitida depois da meia-noite com bolinha vermelha. Passamos depois para o “Quem que casar com um mendigo que encontrámos na rua e que à partida é o homicida da sua própria família?”, sendo o formato ideal para a CMTV. Sugiro também que o apresentador deste segundo formato seja Hernâni Carvalho, não pela experiência no mundo do crime, mas pelo facto de ter feito estudos na área das Ciências da Religião e não há nada mais sagrado no mundo do que o Santo Matrimónio. Finalmente, o “Quem quer casar com o deputado?”, que é um formato adequado à ARTV (Assembleia da República TV). No entanto, à partida, qualquer pessoa sã não tem vontade de contrair matrimónio com um deputado, a não ser que seja o Ricardo Robles, que tem olhos azuis e casa própria em Lisboa comprada a meias com a irmã.

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publicado às 23:56

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