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Burro na Mesa

Antro de estupidez onde jazem comentários de conteúdo variado | BLOG DE HUMOR

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Poesia de palito na boca

Antes de mais, os meus cordiais cumprimentos a todos os leitores. Todos, desde que não sejam pretos, ciganos ou homossexuais. Aos homens, um aperto de mão bem forte ao ponto de fraturar todas as falangetas; às mulheres, nada, porque vamos falar de política, que é coisa de macho! CALMA! Não venham já com as tochas e forquilhas para cima de mim! Não sou misógino, xenófobo, homofóbico ou algo semelhante. Apenas estou a fazer uma interpretação da visão política dos visados do artigo de hoje: o Partido Nacional Renovador, o PNR, que é o mais tradicional dos partidos de extrema-direita em Portugal.

 

Estamos a pouco mais de duas semanas das eleições europeias e, portanto, a parte mais divertida já começou: os debates. Mas, nestas eleições, descobri algo ainda mais divertido do que os debates: a reação dos outros dirigentes partidários aos debates, através das redes sociais. José Pinto-Coelho, através do Twitter, criticou duramente a SIC pelo facto do PNR não ter sido incluído no debate dos novos e mais pequenos partidos do espetro político português, declarando guerra à estação de Paço de Arcos. A verdade é que eu compreendo perfeitamente o fascist… o senhor político. Num mundo a resvalar para a extrema-direita, só convidam um gajo que começou a odiar ciganos há uns quinze dias e não convidam o líder do PNR, que odeia muçulmanos desde o 25 de abril de 1974 (data que, por acaso, ele também odeia)? É indecente!

 

No entanto, José Pinto-Coelho já definiu a sua estratégia: usar as redes sociais para dar a conhecer as suas ideias, já que não pode contar com a televisão. Para isso, já arreganhou os dentes feito cão raivoso e começou a atacar, para se aproximar do povo… e nada soa mais a povo do que rimas que parecem provérbios. Então, no Twitter do dirigente do PNR, podemos ver a seguinte campanha:

 

Poesia Palito boca.png

 

“Só um partido serve, como vós sabeis: no boletim de voto é o número seis”. Sempre achei que partidos desta índole considerassem que a poesia e a cultura em geral são coisa de malandro, mas pelo visto, enganei-me. No entanto, acho coerente a utilização da segunda pessoa do plural… pelo menos, as ideias antigas ficam associadas a uma linguagem também ela arcaica. Portanto, mais coerente, impossível…

 

Mas imbuído neste espírito de Bocage das barracas, decidi ajudar os demais partidos políticos com sugestões de rimas para a campanha, todas elas péssimas, como poderão ler abaixo:

 

«Como nós não há nenhum, por isso, vote no número um»

 

«Para ficar melhor depois, vote no número dois»

 

«Se não tem um gémeo siamês, vote no número três»

 

«Evite as dores de parto, votando no número quatro»

 

«Se o seu clube precisa de um bom trinco, vote no número cinco»

 

«Se a sua vida é uma retrete, vote no número sete»

 

«Cansado de não praticar o coito? Vote no número oito»

 

«O Programa da Cristina já não o comove? Vote no número nove»

 

Eu avisei, todas as sugestões são péssimas, mas a política serve para quê mesmo? Para nos rirmos, está claro! E esse propósito, estas frases cumprem, espero eu…

 

Ainda faltam muitos números, por isso, conto convosco para ajudarem os nossos políticos, coitadinhos, que têm tanto trabalho. Nos comentários, ajudem os candidatos a criar poemas de uma frase apenas para os números que faltam, para ver se a política nacional arrebita!

publicado às 18:53

Atirei o pau ao gato, o gato não morreu, mas toda a gente se queixou

Para hoje, proponho um exercício de análise das várias perspetivas em torno da música infantil “Atirei o pau ao gato”. Se por um lado pode ser apenas uma canção inocente que serve para entreter crianças, por outro pode ser um forte motivo de contestação que indigna adultos infantis, provocando-me assaz regozijo.

A mais comum e conhecida crítica à dita canção parte dos ferozes defensores dos animais, que afirmam que um pau é capaz de aleijar. Surgiu, portanto, a alternativa de atirar o peixe ao gato…. Exatamente! A solução dos defensores dos animais é atirar a um animal outro animal. A letra da música passa a ser a seguinte: «Atirei o peixe ao gato/ mas o gato não comeu/ Dona Chica admirou-se/ Com o berro que o gato deu». E a minha pergunta é a seguinte: mas que raio de felino é que dá um berro quando lhe atiram um peixe? Será um gato vegan? Será que o peixe estava cheio de óleo e a Dona Chica precisa de uma intervenção do Chef Ljubomir? Será que a refeição do bicho não vinha acompanhada de um suminho detox? É uma questão de ir a uma aula de biodanza ver se encontramos o André Silva do PAN e perguntar-lhe.

Outra perspetiva é a da extrema direita. Surpreendentemente, ainda não se lembraram de criticar a cantiga, mas aqueles cérebros também não dão para mais. No entanto, eu estou cá para manter acesa a chama homofóbica do PNR. Como assim atirar um pau – claramente uma metáfora do pénis – a gato, um mamífero masculino? Será que a canção está a incentivar à homossexualidade das crianças? Será que a Maria José Vilaça e Deus Nosso Senhor – dupla mais famosa da atualidade desde o desmantelamento da dupla Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira – sabem disto? É uma questão de irmos à secção de venda de coletes amarelos da estação de serviço de Aveiras ver se encontramos um grunho qualquer e perguntar-lhe.

O último ponto de vista é a dos defensores do pau. Então ninguém se preocupa com os sentimentos do objeto de arremesso? Para mim, esta é a única perspetiva legítima, porque se há gente que reclama com os móveis quando batem com o mindinho do pé numa das suas esquinas, também a devia haver para defender a pobre da madeira. E se repararem bem, não há pior destino do que ser madeira, porque das três uma: ou se acaba queimada, ou feita em aparas de lápis numa afiadeira de um miúdo baboso da primária ou pior… Nas mãos do Alberto João Jardim…

publicado às 21:24

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