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Burro na Mesa

Antro de estupidez onde jazem comentários de conteúdo variado | BLOG DE HUMOR

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Quem quer casar com o meu filho agricultor à primeira vista dentro de um carro?

(Novo artigo sobre este tema aqui) - "Toca a amar agricultores e filhos à bruta"

 

A poesia portuguesa sempre me atraiu. Florbela Espanca, Pessoa, Sophia ou Camões escreveram belíssimos e incontáveis hinos ao amor. Mas de todos os versos de todos os poemas, há um especial, um que todos os apaixonados já ouviram: «Amor é fogo que arde sem se ver». Mas se até ao ano passado, o verso era apenas uma metáfora, agora já não é assim, graças ao fantástico mundo da televisão portuguesa.

A moda dos programas de encontros amorosos começou no ano passado, quando estreou em Portugal o programa “Casados à Primeira Vista”, programa esse bastante discriminatório para todos os invisuais, já agora. O sucesso foi tal que não tardou que a TVI estreasse também ela um programa de relacionamentos, o “First Dates”, e a SIC o “Carro do Amor”. Portanto, em 2019, o “fogo que arde sem se ver” não é metafórico, mas sim o da combustão do motor do KIA Ceed usado pela emissora. Mas uma coisa é certa, o Ministro do Ambiente, que é um gajo que até percebe se está ou não a rolar um clima, já veio dizer que, se o “Carro do Amor” funcionar a gasóleo, daqui a 4 anos aqueles namoros não vão valer nada.

Mas se pensavam que isto ia ficar por aqui, desenganem-se. O quarto canal vai estrear o “Quem quer casar com o meu filho?” e a estação de Paço de Arcos (eles lá da SIC fizeram mesmo questão de que todo o Portugal soubesse que agora eles estão sediados em Paço de Arcos) vai estrear o “Quem quer casar com o agricultor?”. Muita originalidade, portanto. No fundo, a TV portuguesa é aquela tia chata do jantar de Natal que pergunta se já não está na altura de arranjar alguém para juntar os trapinhos.

Posto isto, proponho aqui mais alguns formatos que as televisões nacionais podem aproveitar. Começamos com o “Autocarro do Amor”, onde adeptos do poliamor têm um primeiro encontro coletivo e que, em princípio, acaba sempre numa coboiada muito gira que pode ser emitida depois da meia-noite com bolinha vermelha. Passamos depois para o “Quem que casar com um mendigo que encontrámos na rua e que à partida é o homicida da sua própria família?”, sendo o formato ideal para a CMTV. Sugiro também que o apresentador deste segundo formato seja Hernâni Carvalho, não pela experiência no mundo do crime, mas pelo facto de ter feito estudos na área das Ciências da Religião e não há nada mais sagrado no mundo do que o Santo Matrimónio. Finalmente, o “Quem quer casar com o deputado?”, que é um formato adequado à ARTV (Assembleia da República TV). No entanto, à partida, qualquer pessoa sã não tem vontade de contrair matrimónio com um deputado, a não ser que seja o Ricardo Robles, que tem olhos azuis e casa própria em Lisboa comprada a meias com a irmã.

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publicado às 23:56

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